Ainda não contei como foi minha jornada até o dia do POSITIVO, vou tentar relatar um pouquinho dessa etapa!
Quem me conhece sabe que o maior sonho da minha vida sempre foi ser mãe! Desde pequena sempre esperei ansiosamente pelo dia que me tornaria mãe. Nada é maior que esse sonho, nunca existiu nada que ficasse à frente do meu desejo de ter meus filhos! Eu quero ter 3 filhos e determinei há muito tempo que teria meu primeiro antes dos 30, se possível, lá pelos 25.
Ano passado quando completei 26 anos soou meu alarme, está na hora!
Tinha um detalhe que me fazia pensar em esperar mais um pouco: o fato de eu não trabalhar e não ter passado em nenhum concurso, ou seja, não tinha minha renda própria. Mas, pensei, pensei, pensei e concluí: "vou parir um filho, não meu cerébro" , eu sei que tudo será um pouco mais complicado, mas a única pessoa que vai passar mais trabalho vou ser eu. E, hoje, eu acredito que a Maria Valentina é um grande incentivo para eu ir atrás da profissão que sempre desejei ter, ser juíza! Ela já fez renascer dentro de mim uma coisa que estava há muito tempo morta, que é a minha vaidade, gostar de mim, me sentir feliz, bonita - por dentro e por fora- e o fato de estarem renascendo todos esses sentimentos me faz ter a certeza que terei muita determinação de ir atrás do meu sonho profissional!
De resto, tudo estava perfeito para ter um filho. Eu e o Felipe estamos juntos há 6 anos, temos um relacionamento sólido, temos nosso apartamento, temos uma vida estabilizada! Fazia bastante tempo que eu e o Felipe conversávamos sobre a hipótese de ter um filho. Eu não tomava anticoncepcional fazia bastante tempo e deixávamos para ver o que iria acontecer. Mas nunca engravidei. Várias vezes achei que pudesse estar grávida, mas sempre alarme falso. Em abril do ano passado decidimos: vamos ter um filho e tentar para valer!
E a partir daí fiquei obcecada em ter um filho. Fui em vários médicos, fiz um milhão de exames, fiz controle de ovulação com ultrassom, com tirinhas, fui em um especialista em reprodução humana, medi temperatura, coloquei travesseiro embaixo do quadril, só faltou me pendurar no lustre de cabeça para baixo, fiz de tudo, até promessa para todos os santos e nada de bebê. Os meus exames e do Felipe sempre indicavam tudo perfeito.
Era dezembro e nada de eu engravidar! Eu já me sentia desesperada, pois o medo de não realizar o meu maior sonho tomava conta de mim. Eu sempre pensei, prefiro morrer a não ter filhos.
Teste de gravidez de farmácia foram centenas que eu fiz, tiveram dias que eu fiz 3 no mesmo dia. Exames de sangue, incontáveis, eu chegava a ter vergonha de ir no laboratório e sempre aquele maldito inferior a 0,01! Os testes de farmácia eu passava horas (horas mesmo, sem exagero) olhando para ver se não enxergava a segunda linha. Tinha dias que eu enxergava uma segunda linha, mas mostrava para os outros e ninguém mais via. Eu ainda ficava com a ilusão de estar fazendo o teste muito cedo (porque a patir do 20º dia do ciclo eu já começava a fazer testes), mas no dia certo estava lá presente a dona menstruação.
Todo mundo me dizia: "relaxa, tu não consegues engravidar porque estás muito ansiosa". Mas alguém pode me explicar como se relaxa numa situação dessas? É impossível, ainda mais para mim que sou a pessoa mais ansiosa e imediatista que conheço!
Em dezembro pensei: "acho que meu bebê vai vir de presente de Natal". No dia do Natal fiz mais um testezinho e, como sempre, negativo. Eu cheguei a pensar que esses testes não funcionavam, porque nunca aparecia a segunda linha (tanto que quando eu engravidei fiz uns 6 só para ver a segunda linha, hehehe)! Natal, mais um negativo. Fiquei triste. Resolvi dar um tempo para minha cabeça, essa história estava me consumindo demais, eu pensava nisso 24 horas por dia, eu lia tudo que enxergava pela frente sobre reprodução, fiquei uma chata, pois só falava disso com as pessoas, quase me tornei uma especialista em reprodução humana, eu sabia todos os detalhes, exames, tudo que deveria ser feito para alcançar uma gravidez.
Janeiro, parei com os controles de ovulação, não fui em médico, fui viajar com Felipe de férias, mas nada de bebê.
Fevereiro, fui dia 2 para Punta para passar 15 dias de férias com minha mãe, meu pai e minha irmã. Estava há 3 dias lá e tive uma paralisia facial periférica. Foi horrível. Acordei de manhã e senti que minha boca não mexia direito, me olhei no espelho e achei a boca um pouco torta. Chamei minha mãe e ela não notou nada, mas eu continuei com a sensação de estar paralisando o rosto. Continuei observando e realmente estava paralisando meu rosto, quase tive um treco, tive certeza que estava tendo um AVC. Corremos para o hospital e a médica disse que era uma paralisia facial periférica, que é uma inflamação do nervo do rosto, que não permite que passem estímulos elétricos e, como consequência, não mexe nada. No mesmo dia voltei para Pelotas, para poder fazer mais exames e ter certeza mesmo do diagnóstico. Era esse mesmo. Ao longo dos dias fui piorando, o que era esperado. O médico disse que minha paralisia era severa, pois 100% do lado direito do meu rosto estava paralisado, imóvel. Eu parecia um monstro, minha mãe não podia me olhar que chorava. Meu pai, quando fica nervoso xinga, então quando chegava aqui em casa me dizia: "não faz essa cara horrorosa, Sabrina, eu ja te avisei para não fazer!", eu tinha que rir e aí piorava mais ainda a minha feiura, hehehehe! O Felipe dava para ver na cara que estava completamente apavorado! Os médicos diziam que voltaria ao normal, tinha risco alto de ficar com sequela, eu estava apavorada, minha boca, minha pálpebra, minha bocheca, minha testa, minha sobrancelha, nada, absolutamente nada do lado direito do meu rosto, mexia!
E foi nesse contexto que a Maria Valentina foi feita. Se eu não tivesse ficado torta, não teria voltado de Punta e não teria engravidado. Porque não pensem que por ter ficado torta esqueci que queria um bebê, até controle de ovulação com tirinha eu fiz nesse mês. As pessoas me dizem "tu conseguiste porque mudaste o foco e esqueceste de engravidar". Esqueci coisa nenhuma, continuei tentanto, mas de uma forma menos obcecada. Pensei: "bem que Deus poderia me dar um filho nesse mês para amenizar um pouco esse sofrimento, porque se eu ficar torta para sempre, ao menos vou ter meu bebê que vai fazer esse problema ser mínimo".
O prognóstico médico era de que eu ficaria paralisada no mínimo 3 meses. Depois do dia que descobri a gravidez, fui desparalizando e em 10 dias não tinha mais nada e, felizmente, sem nenhuma sequela!
Dia 28 de fevereiro de 2011 foi o dia que fiz o teste de farmácia e deu uma linha muito clarinha, corri para o laboratório e meu beta deu 66: POSITIVOOOOOOOOOOOOOO! Nesse mesmo dia fiz mais 3 testes para ver a segunda linha e nos dias seguintes fiz mais alguns para ter certeza mesmo que a segunda linha existia!
Não ganhei minha Maria Valentina de presente de Natal, mas ganhei de presente de aniversário!
Hoje, sou a mulher mais feliz e realizada da face da terra!!!
Para aquelas mulheres que estão tentando e ainda conseguiram o positivo: acreditem, a segunda linha existe!